
Salão-refeitório do Balneário Picoral na década de 1930
O projeto pretende promover a execução e a gravação de uma obra do compositor alemão Richard Schönian, que o Ruy Rubens Ruschel indicou como tendo sida dedicada a Torres e ao Zequinha Picoral, filho do hoteleiro José Antônio (R. R. Ruschel – Torres Tem História, pag. 857). Richard Schönian (1887-1946) foi importante compositor e diretor de orquestra, responsável pela trilha sonora dos filmes alemães “Das Mädel von Pontecuculi” (1924) e “Die blonde Geisha” (1923).
Em 1922, o José Antônio Picoral foi na Alemanha para trazer novidades do velho continente, onde tinha começado a exploração turística dos litorais, para melhor organizar o balneário de Torres. Ali teria conhecido, durante a estadia em Berlim, o Richard Schönian.
Em 1930 foi a vez do filho, Zequinha Picoral, ir à Alemanha, onde casou com uma alemã, aproveitando da ocasião para levar seu filme “Torres” de 1927, um documentário composto por filmagens de alguns aspectos da geografia e da população do litoral. Infelizmente o filme se perdeu em um incêndio da Cinemateca Brasileira que custodiava sua única cópia, mas na época teria gerado um encantamento dos presentes às exibições, no Rio Grande do Sul e também na Alemanha.
O músico alemão ao ver as imagens contidas no filme, se apaixonou pelo lugar, considerando como “paraíso terrestre” e chegou a dedicar uma obra a esse lugar que jamais visitou, mas que nas telas já demostrava suas exuberantes belezas. Nas palavras do Ruschel a obra era marcada por um ritmo de tango e foi tocada na Rádio Gaúcha no final dos anos 30, mas desta gravação provavelmente se deve ter perdido o registro.
Identificamos a partir do nome “Serenata” a composição que deve ter sido a matriz daquela levada em disco para o Brasil, a obra “Arabeske – Serenade” de Richard Schönian, e a proposta deste projeto é repropor esta música, a partir de uma sua partitura publicada, com o estudo musical e a interpretação de um músico experiente e com trânsito na música tradicional argentina, o Uiliam Michelon, no acordeom, de forma a utilizar um arranjo próximo ao que deve ter sido o original.
o projeto cultural Serenata Torrense foi inscrito no Edital de chamamento público Nº 02/2023 lançado pela Prefeitura de Torres com os recursos federais recebido pela Lei Paulo Gustavo (Lei Complementar nº 195/2022); embora concorrendo à verba de R$ 6.000,00, foi contemplado, num remanejamento de verbas proposto pela Secretaria da Cultura e do Esporte, com o valor de R$ 2.800,00.
Justificativa do Projeto
A realização da gravação será o resgate de uma música tão significativa do começo da importância de Torres como destino turístico, nos albores dos anos 30, que recorda o passado dos tempos do Hotel Picoral, quando o pequeno balneário começava a despontar como destino das férias primeiro de saúde e depois de lazer.
Será uma espécie de arqueologia musical, tentando fazer reviver momentos do passado, os espaços pristinos da cidade e sua composição sociológica, através desta música.
O projeto acabará trazendo dentro do repertório local e regional, no âmbito da música erudita, uma “nova” composição, que até agora ficou esquecida, alimentando assim as referencias musicais do nosso estado.
Metodologia
Primeiramente será analisada a composição a partir das partituras conhecidas, para ser rearranjada para Acordeom solo, procurando manter a polifonia da partitura original para piano e orquestra, com ritmo e estilo de tango conforme a referência histórica reportada.
A música será ensaiada, executada e gravada, com equipamento de gravação de alta qualidade, para depois ser trabalhada na pós-produção e finalizada.
A difusão será unicamente online, a partir deste hotsite e da própria plataforma Rede Cultura Torres, que já possui o verbete da Serenata Torrense, das suas redes sociais e estará nas plataformas musicais do intérprete Uiliam Michelon no Spotify.
Contrapartida
O projeto prevê como contrapartida a realização de uma oficina, em escola municipal a ser escolhida com a coordenação da Secretaria Municipal de Educação, sobre fundamentos da música, com particular enfoque para a música erudita e instrumental, e sobre a composição Serenata Torrense como memória histórica da cidade.
Contudo, a principal contrapartida oferecida será este resgate de uma parte da história dos albores de Torres como centro turístico cosmopolita e a disponibilização da composição com nome da cidade para futuras novas interpretações.
Fontes:
RUSCHEL, Ruy Ruben. Torres tem história. Porto Alegre: EST, 2004
SCHOSSLER, Joana Carolina. “As nossas praias”: os primórdios da vilegiatura marítima no rio grande do sul (1900 – 1950), Porto Alegre, 2010.
SCHÖNIAN, Richard. Arabeske, arr. Bruno Hartmann (Pauta musical)
SCHÖNIAN, Richard. Arabeske, Serenade vom Richard Schönian, Solo, arr. Ludwig Kletsch (Pauta musical)
